{"id":480,"date":"2010-08-31T19:27:16","date_gmt":"2010-08-31T19:27:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.colaboratorio.panoramafestival.com\/?p=480"},"modified":"2010-08-31T19:38:10","modified_gmt":"2010-08-31T19:38:10","slug":"para-se-relacionar-melhor-com-a-obra-do-outro-ou-o-exercicio-critico-como-atuacao-artistica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.colaboratorio.panoramafestival.com\/?p=480","title":{"rendered":"Para se relacionar melhor com a obra do outro ou a cr\u00edtica de dan\u00e7a como atua\u00e7\u00e3o art\u00edstica"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_8Ea2KUpZUYg\/SfRvXrDw82I\/AAAAAAAAAEg\/KTdLT2PXwaQ\/s400\/Fontaine_Duchamp.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"366\" \/><\/p>\n<p>O caminho por vezes \u00e9 em reta, <a href=\"http:\/\/pharmacyviagra.net\" style=\"text-decoration:none;color:#676c6c\">viagra buy<\/a>  porque sempre em curva. A reta \u00e9 uma curva que nos faz chegar mais r\u00e1pido entre dois pontos, sem promover saltos, sem que percamos aquilo que esta pelo caminho. Eu, por habito, caminho o caminho. Destarte, a observa\u00e7\u00e3o \u00e9 exegese da a\u00e7\u00e3o. A pr\u00e1tica primeira, anterior, pr\u00e9via \u00e0s cria\u00e7\u00f5es de l\u00f3gicas.<\/p>\n<p>No meu caminho, vou da exegese \u00e0 l\u00f3gica, ou pelo menos tento conscientemente que assim o seja. E este todo atravessa os diversos n\u00edveis da minha vida, quer seja de produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica, princ\u00edpios filos\u00f3ficos, quest\u00f5es existenciais, dissabores da alma.<\/p>\n<p>Fa\u00e7o um trajeto m\u00e1ster, que inclui todas estas relev\u00e2ncias e vou desdobrando as surpresas que aparecem ao longo do percurso e fazendo delas conhecimento, mem\u00f3rias, rela\u00e7\u00f5es contextuais.<\/p>\n<p>Mas, \u00e9 verdade: posso conter em mim mais que uma \u00fanica urg\u00eancia. E posso me permitir um tempo que elas me recorram, sem constituir com isto covardias ou fraudulentas verdades.<\/p>\n<p>Que segredo se faz quando se est\u00e1 incerto? Quando voc\u00ea n\u00e3o reconhece um sil\u00eancio, ou quando este se faz por car\u00e1ter compuls\u00f3rio, \u00e9 minor\u00e1vel o fato de que aquilo foi o que se constituiu? Trabalhamos, ent\u00e3o, apenas com os desejos hipot\u00e9ticos e aspira\u00e7\u00f5es ut\u00f3picas e o que fica aqu\u00e9m disto \u00e9 necessariamente desprez\u00edvel?<\/p>\n<p>Reservo-me o direito de me conhecer, de diariamente me averiguar, conversar comigo, ralhar, enternecer, e por isto acreditar em mim. E pautar minha vida pela honestidade de tal ret\u00f3rica e pela bravura de dar a cara a tapa.<\/p>\n<p>Garanto que os tapas chegam. E alguns te arremessam longe, e portanto te d\u00e3o perspectiva, e outros apenas te esmagam; mesmos destes aprendo o que for poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Eu gosto do imposs\u00edvel. Persigo seus deslimites. Mas soube aos 11 anos de idade que quando n\u00e3o se lida com o infinito, o imposs\u00edvel poder ser apenas o poss\u00edvel de como lidar com isso. Persigo o imposs\u00edvel mas n\u00e3o considero dem\u00e9rito os meus poss\u00edveis.<\/p>\n<p>Dez banhos por dia podem ser s\u00f3 um banho. Ou podem ser algu\u00e9m em busca de algo. E este algo pode ser s\u00f3 um banho. E se Marcel Duchamp j\u00e1 visitou o ?e s\u00f3 isso?? ha 93 anos, e se a l\u00f3gica da contemporaneidade diz que ent\u00e3o, pra ser s\u00f3 isso, eu n\u00e3o posso ser s\u00f3 Duchamp, ent\u00e3o eu preciso necessariamente me retirar? Ou ent\u00e3o, preciso necessariamente angariar o tal do ?plus a mais?? pra me validar?<\/p>\n<p>Eu quero o canto, e quero que me olhe quem quer me olhar, e espero ser presente o bastante pra que isto se de. Mas a minha pergunta, a minha duvida sobre quem me olhar\u00e1 e por que, \u00e9 parte do meu objeto de estudo e muito provavelmente do meu resultado perform\u00e1tico. E se a minha pergunta n\u00e3o basta, \u00e9 nesta hora que preciso fincar o p\u00e9, e afirmar: eu acredito em mim. Porque me conhe\u00e7o, porque me duvido, porque me questiono, e porque acreditar numa id\u00e9ia, atribuir-lhe valor, e lutar por ela, n\u00e3o \u00e9 estranho a mim, modo algum. E n\u00e3o pretendo antecipar todos os entendimentos, coment\u00e1rios, devolu\u00e7\u00f5es que ocorram em decorr\u00eancia da minha pergunta em modo perform\u00e1tico, mas estarei em espreita, indubitavelmente, que de exegeses e l\u00f3gicas vive o meu pensamento.<\/p>\n<p>Visto-me de mim mesma.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m ai quer adentrar a minha roupa?<br \/>\nNo recente livro <em>O corpo em crise ? novas pistas e o curto-circuito das representa\u00e7\u00f5es<\/em> (Annablume Editora, <a href=\"http:\/\/viagrasaleonline.net\" style=\"text-decoration:none;color:#676c6c\">capsule<\/a>  2010), a autora e te\u00f3rica de dan\u00e7a Christine Greiner (PUC-SP), que esteve com a gente na primeira resid\u00eancia\u00a0desta edi\u00e7\u00e3o do coLABorat\u00f3rio, faz uma men\u00e7\u00e3o bem sens\u00edvel e instigante ao projeto no pref\u00e1cio &#8220;Rede de Afetos&#8221;<a rel=\"attachment wp-att-502\" href=\"http:\/\/www.colaboratorio.panoramafestival.com\/?attachment_id=502\"><\/a> onde fala sobre as experi\u00eancias que lhe atravessaram no seu processo de pesquisa e escrita:<\/p>\n<p><em>?Durante a revis\u00e3o final deste manuscrito tive ainda a preciosa oportunidade de trabalhar uma semana na cidade de Luis Correia (Piau\u00ed), como convidada do coLABorat\u00f3rio do [Festival] Panorama de Dan\u00e7a do Rio de Janeiro em parceria com o N\u00facleo do Dirceu de Teresina. Este breve (e intenso) encontro com jovens artistas e produtores mais uma vez me fez testar o que significa fazer algo junto e compartilhar o que n\u00e3o \u00e9 comum (id\u00e9ias, modos de vida, sentimentos). Ao insistir na cria\u00e7\u00e3o de cumplicidades e redes de ativa\u00e7\u00e3o coletivas, todas essas experi\u00eancias de pensar\/fazer junto me levam a acreditar que \u00e9 poss\u00edvel resistir.??<\/em><\/p>\n<p><a rel=\"attachment wp-att-502\" href=\"http:\/\/www.colaboratorio.panoramafestival.com\/?attachment_id=502\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-502\" src=\"http:\/\/www.colaboratorio.panoramafestival.com\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/corpoemcrise.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"541\" srcset=\"https:\/\/www.colaboratorio.panoramafestival.com\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/corpoemcrise.jpg 300w, https:\/\/www.colaboratorio.panoramafestival.com\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/corpoemcrise-166x300.jpg 166w, https:\/\/www.colaboratorio.panoramafestival.com\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/corpoemcrise-221x400.jpg 221w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\nNestes dias de resid\u00eancia com Miguel Pereira, <a href=\"http:\/\/cialisprofessional.net\" style=\"text-decoration:none;color:#676c6c\">viagra buy<\/a>  coloquei-me um desafio: assistir os tr\u00eas dias de apresenta\u00e7\u00f5es da Mostra Disseca, do N\u00facleo Dirceu, com os trabalhos <em>Jogo de Dentro<\/em>, de Wilena Weronez, e <em>Mefisto Brasileiro<\/em>, de F\u00e1bio Crazy da Silva. A id\u00e9ia surgiu dos pr\u00f3prios criadores e da produ\u00e7\u00e3o da temporada (Elielson Pacheco, em especial), quando me convidaram para fazer a media\u00e7\u00e3o de uma conversa com o p\u00fablico no \u00faltimo dia, domingo, 29 de agosto.<\/p>\n<p>Assisti o primeiro dia e postei um texto como forma de provoca\u00e7\u00e3o, com impress\u00f5es minhas das obras sem ter lido nada sobre elas: <a href=\"http:\/\/nucleododirceu.com.br\/para-inicio-de-conversa-corpos-criam-fluxos-distintos\/\">Para in\u00edcio de conversa: Corpos criam fluxos distintos<\/a>.\u00a0 Foi uma experi\u00eancia interessante para eu perceber a l\u00f3gica operativa dos criadores e a autonomia das obras, o que ajudou nas duas apresenta\u00e7\u00f5es seguintes. Uma esp\u00e9cie de mergulho no processo p\u00fablico de uma\u00a0obra art\u00edstica, como tamb\u00e9m refletir sobre &#8220;fluxos de performatividade&#8221;, assunto proposto por Marcelo Evelin como coment\u00e1rio do texto acima citado e que tem a ver com &#8220;energia performativa&#8221; (um confronta-se comunicativo com quem assiste a gente).<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, a rela\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico foi algo que gerou boas entradas na conversa do \u00faltimo dia. Em especial, uma frase de uma menina de 11 anos que, durante<em> Jogo de Dentro<\/em>, olhou pra mim e exclamou: ? s\u00f3 isso! Ou quando, tamb\u00e9m no segundo dia, um casal levantou-se\u00a0de repente, logo no inicio de<em> Mefisto Brasileiro<\/em>, dada a nudez provocativa de F\u00e1bio. Na verdade, quem saiu foi o rapaz, puxando pela m\u00e3o a sua namorada que, mesmo atarantada, queria assistir o espet\u00e1culo, evidenciando que a nudez ainda \u00e9 um tabu-totem da contemporaneidade.<\/p>\n<p>Este meu experimento cr\u00edtico n\u00e3o se esgota aqui e j\u00e1 estou a elaborar o que entendo como uma reflex\u00e3o mais aprofundada e que tem uma for\u00e7a relacionada com o procedimento que escolhi, que foi assistir os tr\u00eas dias de trabalhos, dando para cada dia um ?objetivo?? diferente.<\/p>\n<p>De antem\u00e3o, j\u00e1 percebo melhor o que \u00e9 se relacionar com o trabalho do outro sabendo que, como criador, estou tamb\u00e9m atravessado por inquieta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas minhas. Como ent\u00e3o n\u00e3o confundir e fazer confluir tudo isso como experi\u00eancia de dan\u00e7a? Considero que \u00e9 pelo cuidado em n\u00e3o projetar no outro o que \u00e9 nosso, mas partir de nossas pessoalidades para expandir horizontes, fazer pontes, qualificar o discurso, implicar-se nas coisas. E, principalmente, convocar pra n\u00f3s mesmos aquilo que nos mobiliza e, ao mesmo tempo, distinguir o que \u00e9 a inquieta\u00e7\u00e3o do outro, contextualizando-a na pr\u00f3pria obra.<\/p>\n<p>At\u00e9 porque no contexto colaborativo em que me encontro, tenho percebido n\u00edveis diferentes de comprometimentos e, a partir disso, venho buscando pensar numa poss\u00edvel ecologia de saberes, discuss\u00e3o vinda do soci\u00f3logo Boaventura de Souza Santos e que tanto tem perpassado algumas conversas di\u00e1rias, por exemplo, com Ana Cecilia e Marcelo Evelin, como tamb\u00e9m no recente livro de Christine Greiner, <em>Corpo em Crise <\/em>(Editora Annablume).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O caminho por vezes \u00e9 em reta, viagra buy porque sempre em curva. A reta \u00e9 uma curva que nos faz chegar mais r\u00e1pido entre dois pontos, sem promover saltos, sem que percamos aquilo que esta pelo caminho. Eu, por habito, caminho o caminho. 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